O Departamento de Economia e Assuntos Sociais (DEAS) das Nações Unidas (NU) aconselhou as autoridades governamentais a adotarem políticas que possam proteger o desporto do forte impacto causado pela pandemia da COVID-19 e resultou no cancelamento da esmagadora maioria das competições desportivas, fazendo também recomendações aos governos e outras partes interessadas, bem como ao próprio sistema corporizado pelas Nações Unidas, para apoiar o reinício seguro de eventos esportivos e da atividade física em geral.

“O valor global da indústria do desporto está estimado, anualmente, em 756 biliões de dólares. Perante a COVID-19, muitos milhões de empregos estão em risco, não apenas entre os profissionais do desporto, mas também nos setores de serviços relacionados com a organização de competições, que incluem viagens, turismo, infraestruturas, transportes, alimentação e difusão mediática, entre outros”, pode ler-se no documento. “Os atletas profissionais também estão sob pressão para voltarem aos treinos, enquanto tentam manter a forma em casa, e correm o risco de perder patrocinadores que podem não apoiá-los conforme acordado inicialmente.”

As preocupações expressas pelo DEAS das NU estendem-se para além das repercussões económicas que a pandemia implica, centrando-se igualmente no bem-estar geral e nas dificuldades em ter uma atividade física regular. “O surto global da COVID-19 resultou no encerramento de academias, estádios, piscinas, estúdios de dança e fitness, centros de fisioterapia e parques. Portanto, muitas pessoas não são capazes de participar ativamente nas suas atividades desportivas ou físicas regulares, individuais ou em grupo, fora de casa. Nessas condições, muitos tendem a ser menos ativos fisicamente, a passar mais tempo em frente a ecrãs, a terem padrões irregulares de sono e pior alimentação, o que resulta em ganho de peso e perda de condição física. As famílias de baixos rendimentos são especialmente vulneráveis ​​aos efeitos negativos das regras de permanência em casa, pois tendem a ter acomodações abaixo do padrão e espaços mais confinados, dificultando o exercício físico.” Tal quadro implica também o aumento de problemas com implicações psicológicas.

No campo das recomendações, quanto ao papel que as autoridades públicas podem desempenhar na recuperação do desporto e na reativação das competições, o DEAS das NU defende que “governos e organizações intergovernamentais podem ajudar federações, clubes e organizações desportivas fornecendo-lhes orientações relacionadas com a segurança, saúde, trabalho e outras áreas, e estabelecendo protocolos internacionais aplicáveis ​​a eventos desportivos futuros e condições de trabalho seguras. Isso permitiria que todas as partes interessadas trabalhassem cooperativamente, em equipa, com o objetivo de enfrentar os desafios atuais e futuros, de modo a realizarem-se eventos desportivos que possam ser seguros e agradáveis ​​para todos.”

As recomendações estendem-se também ao designado “ecossistema desportivo, composto por produtores, media, adeptos, empresas, proprietários e atletas.” O DEAS da NU chama a atenção para a necessidade de “encontrar soluções novas e inovadoras para mitigar os efeitos negativos da COVID-19 no mundo do desporto. Isso inclui encontrar formas de envolvimento com os fãs, a fim de garantir eventos desportivos seguros no futuro, mantendo a força de trabalho, e criando novos modelos operacionais e estratégias.”

No campo da atividade física e do bem-estar, as recomendações incidem sobre apoios, pesquisa e orientação politica, cooperação técnica e desenvolvimento de capacidades, e promoção de atitudes e comportamentos sociais positivos.

O documento pode ser consultado em baixo.

 Nações Unidas – Impacto da COVID-19 no desporto

 

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