Em entrevista exclusiva à Revista Olimpo, poucos dias antes do início do Tour, Rui Costa revela as suas expectativas e ambições para a mais importante do calendário velocipédico de estrada à escala mundial. O atual campeão do mundo não quer traçar metas, mas reconhece que a camisola do arco-íris lhe traz outras responsabilidades. O Rio 2016 é outro dos temas da conversa com aquele que é, provavelmente, o maior nome da história do ciclismo nacional.

OLIMPO – O início da temporada foi algo atribulado, com algumas quedas. Como está a condição física? Podemos contar com o Rui Costa na máxima força no Tour?

Rui Costa – Apesar de eu ter tido algumas quedas, este foi o meu melhor início de temporada de sempre pois em termos de pontos tenho mais do dobro em relação ao ano passado. A minha condição física está ok e espero chegar bem ao Tour. A vitória na Volta à Suíça, pela terceira vez consecutiva, é uma boa injeção de moral.

 

Pela primeira vez será Chefe de Fila de uma equipa no Tour. Quais as suas reais ambições? O que será diferente face às participações anteriores?

Nesta modalidade existem sempre muitos imprevistos, muitos percalços e raramente ganha sempre o mais forte. É preciso ter também muita sorte, não cair, não ter avarias mecânicas… por isso dizer que vamos para uma corrida fazer x resultado nunca é certo. O meu objetivo é chegar bem fisicamente ao Tour e dar o meu melhor.

 

Ficará satisfeito com um lugar no top 10 ou a sua ambição já obriga a um resultado mais acima para cumprir as suas expectativas?

Como referi anteriormente o Tour é sempre muito incerto, especialmente a primeira semana que costuma ser muito nervosa, e onde acontecem imensos imprevistos. Este ano será mais duro ainda devido ao percurso empedrado. Só espero que não chova nesses dias, pois se chove as rodas resvalam muitíssimo no empedrado e as quedas serão uma constante. Só faço previsões após a primeira semana do Tour e desejo muito passá-la sem percalços. Não escondo que ficaria muito satisfeito se conseguisse um top-10, mas é como digo… no Tour muita coisa pode acontecer e gosto sempre de ser cauteloso.

 

Qual a estratégia mais adequada para tentar vencer o Tour?

A melhor estratégia é resguardar-se ao máximo nas primeiras etapas, escapar às quedas, ter uma equipa que esteja sempre contigo, ter sorte, saber ler bem a corrida e os adversários, poupar a energia que tens ao máximo e atacar só nas partes decisivas especialmente na montanha dos últimos dias.

 

Quais as principais diferenças entre a Lampre e a Movistar?

Não existem assim tantas diferenças, são ambas equipas World Tour, correm o mesmo calendário e têm estruturas semelhantes. Diferenciam-se, sobretudo, na língua e no material que utilizam.

 

Do traçado deste ano, quais são os momentos que prevê como determinantes para decidir o vencedor da prova?

A meu ver os três pontos chave do Tour são: o empedrado da primeira semana, o enorme contrarrelógio individual e a alta montanha.

 

Quem considera os principais candidatos à vitória final?

Para ganhar temos, pelo menos, quatro opções: Froome, Purito, Valverde e Contador. Mas o principal candidato é Froome, está um nível acima de todos os outros.

 

Estamos a dois anos dos Jogos Olímpicos do Rio 2016. É um grande objetivo voltar a competir nos Jogos?

Os Jogos Olímpicos, a par do Mundial e do Tour, são os pontos altos do ciclismo, todos os ciclistas sonham em estar presentes nestas grandíssimas competições e eu não sou exceção. Espero ser convocado e ter melhor sorte que no ano passado.

 

Que ambições poderemos ter para o Rio? A medalha é possível?

As ambições são chegar ao Rio no meu melhor fisicamente e lutar por um lugar entre os melhores. Medalhas? Só é impossível para quem não participa.

 

O facto de ser uma prova decidida num só dia torna-a mais complexa, mas é campeão do mundo graças a uma prova semelhante. Poderá repetir a façanha?

Os Jogos Olímpicos de Londres não tinham um percurso duro que se adequasse às minhas características, ao contrário do Mundial que foi o 2.º mais duro da história. Resta saber como será o traçado do Rio, mas se for para sprinters, eu não vou lá fazer nada e prefiro dar oportunidade a outro corredor. Se for duro, como eu espero, vou deixar tudo na estrada para representar dignamente Portugal, como merecemos: ao mais alto nível.

 

Passados vários meses da vitória em Florença, quando olha para trás, quais as memórias e sentimentos que relembra?

Às vezes ainda me parece um sonho. São recordações fantásticas das quais me lembro todos os dias e assim será até ao último dia da minha vida. É algo que te motiva, que te faz sorrir e impossível de esquecer.

 

Trazer a camisola de campeão do mundo vestida aumenta-lhe a responsabilidade quer no Tour, quer nos Jogos?

Usar esta camisola é uma grande responsabilidade. Não me deixa passar despercebido aos olhos dos adversários e é mais difícil desmarcar-se, mas também é uma grande honra e um orgulho usar este arco-íris. Quero aproveitar os dias que tenho com ela e fazer o melhor que sei e que me deixarem fazer.

 

Sente que é possível revalidar esse título em 2014?

Não faço a mais pequena ideia. Num mundial tudo é possível, tanta coisa pode acontecer… é como acertar no euromilhões. O ciclismo é uma modalidade que depende de muitos fatores e eu apenas quero chegar lá, cerrrar os dentes, levar o meu corpo ao limite pelo nosso país e… seja o que Deus quiser.

 

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