Foi cheio de emoções, o primeiro dia do Encontro Nacional de Esperanças Olímpicas a decorrer na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, que terminou com uma entusiasmante demonstração dos atletas de Ginástica, a dar sequência às “Conversas Olímpicas” protagonizadas por Cristina Gomes, treinadora olímpica de Ginástica Artística, e Rui Bragança, olímpico de Taekwondo nos Jogos do Rio 2016.

Com 25 anos de atividade no treino da Ginástica Artística, Cristina Gomes explicou como gere a sua carreira, colocando objetivos “passo a passo.” Treinadora das ginastas olímpicas Zoe Lima – Londres 2012 – e Filipa Martins – Rio 2016, contou como tomou algumas decisões: “O primeiro objetivo que quis para as minhas atletas foi que participassem na Seleção, para depois irem ao Campeonato da Europa.”

A seguir veio o sonho olímpico. “Os Jogos Olímpicos não são um evento”, explicou Cristina Gomes. “São um caminho que se vai percorrendo.” E a primeira participação nos Jogos Olímpicos “foi uma experiência marcante. Estive uma semana na nuvem, depois desci para a vida normal”, referiu a treinadora olímpica a uma assistência que na sua maioria sonha com a presença nos Jogos de Paris 2024.

Rui Bragança praticante de Taekwondo desde os 13 anos abriu a sua apresentação com uma foto da família. E explicou porquê: “Se não fossem eles, eu não estaria aqui.” O contrato familiar que estabeleceu para praticar a modalidade foi simples. “Nunca me exigiram que tivesse 20. ‘OK, podes fazer Taekwondo, desde que tenhas boas notas’.”

O percurso de Rui Bragança foi pontuado por muitas dificuldades e algumas aventuras que foram prendendo a atenção da audiência. “É nas grandes competições que nós vamos aprendendo”, explicou, para depois contar como é difícil encarar alguns momentos críticos: “Não me apurei para os Jogos Olímpicos de Londres por um segundo. Foi a primeira vez que chorei.”

Rui Bragança confessou que os Jogos Olímpicos “são a melhor coisa do mundo”, mas “no momento da competição são só mais uma competição.”

Para o olímpico português, quando chega “o momento da competição é quando o mundo desaparece. Sou eu, o adversário e o árbitro.”

Questionado sobre se alguma vez admitiu desistir, Rui Bragança foi esclarecedor: “Quem quer encontra soluções, quem não quer arranja desculpas. Desistir? Nunca!”. E deixou um conselho às esperanças olímpicas que fez soltar muitos sorrisos. “Sejam loucos por aquilo que fazem. Quando toda a gente diz não dá, nós dizemos dá. Saber que no fim vai valer muito a pena.”

 

Jornada preenchida

Ao longo do dia foram decorrendo várias atividades, tanto para atletas como para treinadores. Os atletas puderam assistir a sessões sobre Doping – A importância da verdade desportiva, a cargo de António Júlio Nunes, Sofia Neves e Carlos Santos, da Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP); e Nutrição, por Cláudia Minderico. Realizaram testes de Psicologia do Desporto, responsabilidade de Ana Bispo Ramires.

Os atletas puderam experimentar outras modalidades que não aquelas que habitualmente praticam, como Andebol, Pentatlo Moderno (Esgrima, Laser Run), Ginástica e Judo; ficaram familiarizados com os procedimentos de controlo de dopagem, realizados pela ADoP; e tomaram contacto com o Programa de Educação Olímpica do COP e as atividades da Academia Olímpica de Portugal.

Os treinadores tiveram oportunidade de participar no Seminário “Esperanças Olímpicas”, com comunicações de António Vasconcelos Raposo – A importância do treino da força nos e nas atletas Esperanças Olímpicas; Ricardo Fernandes – Utilização da avaliação e controlo na definição das zonas de treino; João Abrantes – O treino para o alto rendimento: a “etapa de transição”; José Gomes Pereira – Lesões de sobrecarga e treino desportivo precoce em jovens atletas; Jaime Milheiro – Otimização do processo de recuperação em jovens atletas; Ana Bispo Ramires – Treino de competências psicológicas em contexto de alto rendimento; e Cláudia Minderico – A importância da alimentação e do seu controlo.

Foi ainda realizado um workshop de Controlo e Avaliação do Treino, a cargo do Laboratório de Biomecânica do Porto, nas áreas de Fisiologia, por Ricardo Fernandes; Biomecânica, por João Paulo Vilas-Boas; e Função Muscular, por Filipa Sousa.

Os pais e encarregados de educação também tiveram uma ação de formação nas áreas de Medicina Desportiva, Nutrição e Psicologia, fomentada pela Direção de Medicina Desportiva, do COP.

O programa do Encontro Nacional de Esperanças Olímpicas prossegue no domingo.

19 JANEIRO, domingo

 

09h00-13h00

Atividades com atletas e treinadores, Laboratório de Biomecânica do Porto e FADEU

– Testes de controlo e avaliação do treino

– Teste Nutrição

– Programa de Integridade do COP

– Rastreio odontológico

– Comissão de Atletas Olímpicos

 

12h30-13h45

Almoço, Refeitório FADEUP

13h50-14h15

Comunicação e Redes Sociais | António Varela e Ana Silva, Auditório Alberto Amaral

14h15-14h45

Feedback do teste de psicologia | Ana Bispo Ramires, Auditório Alberto Amaral

14h45-15h00

Pausa

15h00-16h00
Conversas Olímpicas | Nelson Évora, Auditório Alberto Amaral

16h00
Sessão de Encerramento, Auditório Alberto Amaral

 

 

Artigos Relacionados

Patrocinadores/Parceiros Nacionais