O Dia Internacional do Desporto para o Desenvolvimento e a Paz, que se assinala a 6 de abril, encerra em si a comunhão do Movimento Olímpico e Desportivo com a Comunidade Internacional, sob a égide cimeira das Nações Unidas, na promoção da universalidade do desporto ao serviço da aproximação dos povos, etnias e religiões, suprindo, de forma porventura única e incomparável, as mais diversas formas de discriminação e intolerância.

Este propósito de suma importância, e reconhecido interesse público, não surge, porém, de geração espontânea, nem todos os palcos, protagonistas e organizações do desporto são, na atualidade, agentes indutores desta dinâmica de desenvolvimento, sempre que replicam ou agem em sentido díspar daqueles que são os princípios universais que hoje se celebram.

Com efeito, colocar o desporto ao serviço do desenvolvimento humano, traduzindo este desígnio inscrito na Carta Olímpica, não dispensa alterações sobre as perspetivas como se vive e se está no desporto, e através do desporto na vida cívica, mas requer também o enquadramento e as condições estruturais que permitam aproveitar o potencial desta inestimável linguagem com o poder de influenciar o mundo, mobilizar multidões e congregar vontades.

Nesta medida, o papel dos Estados, a nível nacional e internacional, enquanto estruturas institucionais capazes de enquadrar populações, culturas, etnias e religiões afigura-se crucial para garantir ao desporto as condições estruturais que materializem este propósito de desenvolvimento, mormente num contexto de recrudescimento das crises migratórias e de nacionalismos que se revestem das mais incisivas formas de radicalismo.

Um processo de desenvolvimento social e paz é, como a história do Olimpismo o retrata, e recentemente se repetiu com as duas Coreias, a construção do caminho que aproxima o desporto do seu desígnio agregador e o afasta de uma caixa-de-ressonância de tensões e conflitos.

Uma responsabilidade partilhada entre todos os que o servem e as lideranças políticas, cívicas e religiosas que efetivamente queiram traduzir as palavras e os valores que nesta data se recordam, num compromisso ativo neste caminho com enormes desafios.

Lisboa, 6 de Abril de 2019

Comité Olímpico de Portugal

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