A 3.ª edição do Fórum Internacional de Integridade no Desporto – International Forum for Sports Integrity (IFSI) juntou os principais líderes e organizações internacionais que representam o Movimento Olímpico, assim como o Conselho da Europa, o escritório da Organização das Nações especializado no combate ao crime e ao uso de drogas (UNODC), a Interpol e a Europol, entre outras, na sede do Comité Olímpico Internacional (COI), na Suíça.

Durante o discurso de abertura, o presidente do COI, Thomas Bach, disse: “Esta reunião reflete a própria natureza do IFSI, que é cooperação e parceria. Somos uma comunidade que compartilha um objetivo comum de proteger as competições contra a manipulação e a corrupção.”

No Fórum, foi lançada uma nova publicação, “Mecanismos de Comunicação do COI-UNODC no Desporto: Um Guia Prático para o Desenvolvimento e Implementação”. O guia fornece informações sobre boas práticas a adotar pelas organizações desportivas em relação à receção e tratamento de denúncias de irregularidades, incluindo manipulação de competições, assédio sexual, doping e corrupção.

No seu discurso, Thomas Bach elogiou a estreita cooperação existente entre as muitas partes interessadas. “No espírito desta cooperação, tomamos muitas medidas em conjunto desde o lançamento do IFSI em 2015″, disse. “O exemplo mais óbvio é a Convenção do Conselho da Europa sobre Manipulação de Competições Dsportivas, que entrou em vigor no mês passado e já está a ser implementada num grande número de países.”

Ronan O’Laoire, Coordenador do Programa Global para a Proteção do Desporto contra a Corrupção e o Crime do UNODC, apontou a importância de desenvolver mecanismos eficazes de denúncia: “É crucial que as agências governamentais e as organizações desportivas identifiquem e prendam os responsáveis ​​por irregularidades. É essencial ter mecanismos eficazes de denúncia para facilitar essa tarefa, e acreditamos que o Guia sobre Mecanismos de Denúncia no Desporto, desenvolvido através da nossa parceria com o COI, pode constituir uma fonte altamente eficaz”, afirmou.

O Presidente do COI também elogiou o lançamento de uma rede de investigadores desportivos. “Com essa rede de 200 investigadores treinados, das federações nacionais e internacionais, comités olímpicos nacionais e órgãos disciplinares desportivos, podemos realmente ir ao cerne do problema, que é ter acesso às informações o mais rápido possível e, em alguns casos, até antes que o problema ocorra. A instalação dessa unidade de investigadores permitir-nos-á resolver problemas desde a sua origem.”

Durante o Fórum, o COI e a EUROPOL também assinaram um memorando de entendimento que estabelecerá uma estrutura de cooperação mútua entre as duas organizações. Essa medida facilitará o intercâmbio de conhecimentos, a disseminação de informações e o envolvimento em ações conjuntas relacionadas com a manipulação de competições e o crime organizado.

Na assinatura do memorando de entendimento, o vice-diretor executivo da Europol, Wil van Gemert, disse: “A corrupção no desporto é um fenómeno criminal global perpetrado por grupos do crime organizado que operam no exterior e estão frequentemente envolvidos noutros crimes. Trabalhar em estreita colaboração com parceiros importantes, como o COI, é crucial na luta contra a corrupção no desporto. Combater essa corrupção significa não apenas defender a integridade do desporto, mas também proteger o público contra criminosos que causam danos significativos à segurança, proteção e bem-estar dos cidadãos da União Europeia.”

O Fórum ouviu igualmente o depoimento  atleta olímpica do lançamento do martelo, Jennifer Dahlgren, empossada embaixadora da campanha “Believe in Sport”, liderada pela Unidade do Movimento Olímpico para a Prevenção da Manipulação de Competições.

Lançada em 2018, a campanha “Believe in Sport” visa consciencializar atletas, treinadores e dirigentes sobre a ameaça da manipulação da competições. A iniciativa será novamente ativada nos Jogos Olímpicos da Juventude Lausanne 2020 em janeiro e, em colaboração com as várias Federações Olímpicas Internacionais, na preparação para e durante os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020.

Além disso, todos os detentores de acreditação nos Jogos Olímpicos do próximo ano deverão respeitar um Código de Conduta e as “Regras de Apostas em Tóquio 2020”. As competições olímpicas serão monitorizadas de perto em tempo real. Caso qualquer violação potencial seja detetada pelo Sistema de Inteligência de Apostas da Unidade OMC PMC (IBIS), serão desencadeados processos disciplinares.

Paralelamente, a Linha Direta de Integridade do COI permite que todos denunciem atividades suspeitas, incluindo atividades relacionadas com manipulação de competições e quaisquer outras violações do Código de Ética do COI.

Envolvida ativamente na consciencialização dos atletas participantes nos recentes Jogos Pan-Americanos, Dahlgren disse: “Muitos estão vulneráveis ​​porque, simplesmente, não têm informações sobre a manipulação de competições, uma questão que pode colocá-los em sério risco. Aceitei ser um dos 17 embaixadores da campanha ‘Believe in Sport, porque percebi que os atletas precisam estar mais conscientes desse problema. Estamos a tentar envolvê-los diretamente durante as competições internacionais e regionais, e essas interações provam ser benéficas.”

As discussões do painel e as apresentações dos especialistas participantes no Fórum abordaram tópicos importantes como a troca de informações e procedimentos de investigação; como garantir mecanismos de comunicação imparciais e eficazes; as implicações da entrada em vigor da Convenção do Conselho da Europa sobre a Manipulação de Competições Desportivas; colaboração entre entidades da indústria de apostas e organizações desportivas; e a coordenação entre o desporto e os investigadores criminais.

O Comité Olímpico de Portugal esteve representado no IFSI pelo Diretor-Geral, João Paulo Almeida, e pela Gestora de Projeto, Joana Gonçalves.

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