O Comité Olímpico de Portugal (COP) remeteu às Federações Desportivas com Atletas integrados no Projeto Tóquio 2020 uma comunicação a explicitar em que condições deve ser realizada a sua preparação desportiva no quadro de exceção estabelecido pelo decreto aprovado pelo Governo, tendo sempre a saúde pública como primeira prioridade e em articulação com as recomendações feitas pelas autoridades.

Eis o texto na íntegra:

“De acordo com a publicação das medidas de execução da Declaração de Estado de Emergência, em Diário da República, 1.ª série, por via do Decreto 2-A/2020 de 20 de março, da Presidência do Conselho de Ministros, o desenvolvimento da preparação desportiva dos Atletas integrados no Projeto Tóquio 2020, é prevista entre dois pontos de vista:

1. O da circulação na via pública – prevista na alínea d), do n.º 2, do Artigo 4.º, em que se refere às deslocações de curta duração para efeitos de atividade física, sendo proibido o exercício de atividade física coletiva;

2. O do acesso aos locais de prática – prevista nos números 3 e 4 do Anexo I do mesmo Decreto onde se prevê a utilização das infraestruturas desportivas desde que destinadas à atividade dos atletas de alto rendimento.

Os termos em que estas atividades são autorizadas pressupõe a adoção de medidas cautelares com o intuito de conter a transmissão do vírus e a expansão da doença COVID-19.

A decisão do Comité Olímpico Internacional (COI) de manter a realização dos Jogos na data prevista está a traduzir-se numa enorme pressão sobre os Atletas dos países atingidos pela pandemia, obrigando-os à procura de soluções alternativas de treino de modo a não perderem todo o trabalho de preparação. Compreendemos essa atitude. Mas o Comité Olímpico de Portugal (COP) sente ter a obrigação de transmitir que o mais importante é salvaguardar a vida e a saúde dos Atletas, pelo que não devem ser corridos riscos e devem ser disciplinarmente cumpridas as regras definidas pelas autoridades nacionais de saúde. Neste sentido, o COP realizou um levantamento das condições em que Atletas e Treinadores integrados no Projeto Tóquio 2020 poderão dar seguimento à medida excecional consubstanciada na possibilidade de poderem manter a sua preparação desportiva durante o surto pandémico pelo SARS CoV 2, nomeadamente sobre a possibilidade de frequentarem as instalações desportivas no quadro da sua preparação.

Importa considerar que a atual pandemia assumiu uma dimensão para a qual ninguém estava preparado. É uma situação nova para todos e a aprendizagem a par de algumas das medidas adotadas têm-se vindo a construir dia a dia. Decorrente do facto de previsivelmente termos de passar a conviver com o SARS CoV2 muito mais tempo do que queríamos ou desejávamos, é recomendável que nos preparemos para o que aí vem e para as condições específicas exigidas no exercício das nossas atividades. Sabemos que o pico deste surto pandémico ainda não foi atingido no nosso país. Decorrente deste facto, poderemos ter de reformular as nossas atitudes, comportamentos e decisões de acordo com a evolução da situação.

Por forma a minimizar o risco decorrente da manutenção da atividade desportiva de alta intensidade, nas suas diferentes envolventes, considera o COP que devem ser observadas as seguintes medidas gerais para os atletas integrados no Projeto Tóquio 2020:

1. Não utilizar espaços públicos onde se encontrem outras pessoas na proximidade;

2. Não realizar os treinos em ambientes fechados, em conjunto com outros atletas;

3. Utilizar espaços ao ar livre, certificando-se que não contactam com outras pessoas;

4. Se utilizarem as instalações desportivas, deverão seguir rigorosamente as regras adotadas por essas instalações no combate e controlo da disseminação do vírus. Confirmámos que as instalações, nomeadamente os Centros de Alto Rendimento, já estabeleceram regras na utilização dos espaços e dos equipamentos.

5. No acompanhamento médico-desportivo dos diferentes atletas incluídos no projeto Tóquio 2020 prevalecerão as recomendações emanadas pelas autoridades de saúde do nosso país, preservando a saúde dos atletas através da adoção de medidas tendentes a protegê-los, bem como os demais cidadãos, do potencial risco de infeção viral;

6. O COP está disponível para prestar todo o apoio que as federações entendam por bem solicitar;

7. De acordo com o que se tem verificado no presente ciclo olímpico, através das várias reuniões da Equipa de Saúde COP, onde todos os médicos das Federações têm assento, enfatizamos a necessidade e interesse na manutenção desta metodologia, pelo que estamos disponíveis para colaborar com as Direções Clínicas das Federações na procura das melhores soluções para cada caso.”

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