Foram três longos dias sem provas devido à falta de vento no campo de regatas, mas esta longa espera foi recompensada no último dia. Rodolfo Pires conseguiu cumprir o objetivo que tinha traçado para a Medal Race, subindo de 3º para 2º e arrecadando a Medalha de Prata da Classe Byte CII masculina. A segunda medalha individual para Portugal nestes Jogos Olímpicos da Juventude, igualando assim os resultados de Singapura 2010, onde a Missão Portuguesa conquistou também uma medalha de prata (Mário Silva – Taekwondo) e uma de bronze (Ana Rodrigues – Natação) para além de um Ouro por equipas, no Triatlo, onde figurava o português Miguel Fernandes. Filme que se repetiu há dias com Maria Siderot a subir ao mais alto lugar do pódio integrada numa equipa de várias nações na modalidade de Judo.

Rodolfo Pires entrou para a Medal Race no terceiro lugar, fruto das seguintes classificações nas sete regatas disputadas: 16°, 2°, 9°, 4°, 9º, 1º, (26º – este como foi o pior resultado foi preterido pelo atleta). Sabendo que seria difícil chegar ao Ouro, o velejador nacional, irmão de Gonçalo Pires (que luta para estar no Rio, fazendo dupla com o quatro vezes olímpico Miguel Nunes, na classe 470), traçou como meta atingir a prata, conseguindo-o, graças ao 7º lugar na medal race de hoje, ultrapassando um velejador brasileiro, que não fez melhor que o 14º lugar. Rodolfo terminou com 47 pontos, mais nove que o vencedor, Bernie Chin de Singapura. O húngaro Jonatan Vadnai fechou o pódio com 50 pontos.

O velejador descreveu no final o que sentia ao atingir a prata em Nanjing. “É uma sensação única. Os Jogos decorrem de quatro em quatro anos o que faz da competição uma oportunidade rara. E nos da Juventude era mesmo a única hipótese que teria de estar presente na vida. Apesar de nos mundiais ter a mesma concorrência , ganhar aqui tem outro sabor. É o conquistar de mais uma medalha para Portugal, algo que muitos lutam para conseguir mas é muito difícil alcançar.”

Mas apesar de logrado o objetivo, Rodolfo Pires não deixou de reconhecer as dificuldades. “Sabia que ia ser muito difícil pois há sempre muita pressão quando se atinge o momento da decisão. Estudámos muito bem quem iria arriscar tudo para subir na geral, quem iria tentar controlar para se manter na frente e em função disso sabia a quem tinha de estar atento e nunca perder de vista. Até larguei bem, mas perdi algum tempo pouco depois, o que me deixou a meio da classificação da regata e daí para a frente foi sempre a recuperar! O campo de regatas é o pior que alguma vez apanhei. O vento nunca é estável, a pressão é sempre diferente e hoje não foi diferente.”

Na hora da vitória, o jovem velejador deixou vários agradecimentos e revelou um feeling que sempre o acompanhou. “Não sei explicar mas sempre tive a certeza de que iria ganhar aqui uma medalha. Disse-o ao meu treinador, ao Pedro que me deu o acompanhamento técnico aqui em Nanjing, à minha família, etc. No avião para cá vinha a falar disso mesmo, que sentia que ia conseguir atingir o pódio e de facto aconteceu. É o resultado de muito trabalho e dedicação, mas também de muito apoio. Por isso nesta hora não posso deixar de agradecer a todos aqueles que permitiram que este sonho fosse realidade, como o meu treinador, o meu clube, o Pedro Pires de Lima pelo material, a Federação e o COP, mas principalmente ao meu pai e ao meu irmão, que há quatro anos ganhou a primeira regata de sempre de uns Jogos Olímpicos da Juventude e que abdicou de treinos para lutar pelo apuramento para o Rio de forma a me dar todo o seu apoio na preparação destes Jogos da Juventude, e ainda o muito apoio de vários atletas olímpicos que recebi através das redes sociais”.

Pedro Rodrigues, responsável técnico da Federação presente em Nanjing, destacou a dificuldade da espera. “Foram vários dias de espera, com muita ansiedade. As regatas eram também elas muito longas, exigiam muita concentração, num campo de regatas com ventos muito imprevisíveis, o que aumenta a dureza em termos físicos e psicológicos. Mas apesar dos 15 anos que tem, o Rodolfo é muito determinado e tem um grande futuro à sua frente. A Mafalda tinha as mesmas expectativas mas alguns azares afastaram-na da luta pelos lugares da frente, mas foi sempre uma colega inexedível e deu um apoio fundamental ao Rodolfo para vencer a prata”.

De facto Mafalda Pires de Lima não teve a sorte do seu lado mais uma vez, não conseguindo melhor do que um 28º lugar na Medal Race feminina da Classe Byte CII, terminando no 21º lugar na geral.

Ana Fernandes em 2º na Final B

Mas nem só a Vela esteve hoje em prova. O dia começou com uma excelente participação de Ana Fernandes no lançamento do Martelo na Final B, onde foi segunda classificada com a marca de 59.06, um resultado próximo da sua melhor marca, conseguida dias antes da partida para a China.

Este domingo terminou também a participação do ciclismo português nos Jogos Olímpicos da Juventude, com o 12.º lugar do quarteto luso na estafeta mista.

A equipa, formada por Ana Silvestre, Bruno Machado, Tiago Antunes e Ana Lopes, concluiu a prova, mista de BTT e de estrada, com 18m23s, a 52 segundos da equipa vencedora, a República Checa. A Itália e a Ucrânia, por esta ordem, completaram o pódio. A estafeta mista começou com duas voltas no percurso de BTT. Ana Silvestre foi a primeira lusa em prova, passando o testemunho a Bruno Machado, na 11.ª posição. Ainda em BTT, Bruno Machado encetou uma recuperação, que deixou a equipa portuguesa no sexto lugar, no final do setor todo o terreno. Coube a Tiago Antunes iniciar o troço de estrada, entregando o testemunho a Ana Lopes com a equipa no nono posto. Ana Lopes cortaria a meta na 12.ª posição, mas apenas a 3 segundos da oitava posição.

Por fim, no Pentatlo Moderno Daniel Lopes concluiu hoje a sua prova individual, na vertente masculina, conseguindo um 22º lugar. Depois de ter disputado a prova de esgrima há dois dias, Daniel Lopes teve três provas hoje, tendo-se destacado na natação, onde foi 3º. Na prova final de esgrima não foi além do 19º, terminando no 24º e último lugar na derradeira competição da modalidade, o combinado de corrida e tiro, o que o fez cair na geral. Daniel Lopes volta a competir na terça-feira, na competição de equipas mistas, onde terá como colega de equipa a alemã Anna Matthes, enquanto a compatriota Maria Miguéis Teixeira fará dupla com o ucraniano Anton Kuznetsov.

Amanhã, segunda-feira, apenas Jéssica Barreira estará em prova, na Final B do Triplo Salto, quando faltam apenas três dias para o final dos segundos Jogos Olímpicos da Juventude.

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