A 127ª Sessão Plenária do Comité Olímpico Internacional, que hoje termina no Mónaco, foi marcada por um conjunto de decisões que prometem revolucionar o movimento olímpico. Estas decisões resultam da aprovação unânime das 40 recomendações propostas na Agenda 2020 do COI e que estiveram em votação nestes últimos dias.

A sessão plenária, que conta com a presença de 98 dos 104 membros do COI, aprovou a possibilidade de a cidade sede dos Jogos Olímpicos poder transferir competições para outras cidades, dentro ou fora do seu país, de forma excecional e com o objetivo de reduzir custos. Ainda relacionado com esta medida, foi ainda aprovada a redução para quatro apresentações feitas por cada cidade candidata. O COI, que pretende implementar as medidas a partir de 2020, quer que as cidades apresentem projetos que respondam melhor às suas necessidade a longo prazo, nos planos económico, social, ambiental e desportivo, fazendo assim face aos argumentos que acusam o COI de tornar os Jogos Olímpicos num evento acessível a muitos poucos países ao nível da sua organização.

 

Fim do limite do número de desportos nos JO

Outra das recomendações aprovadas que merece amplo destaque foi o fim do número limite de 28 desportos nos Jogos Olímpicos de verão, optando por criar um programa baseado no número de provas e fixando um máximo de 10500 atletas. Os limites aproximados serão de 310 provas nos Jogos Olímpicos de verão, nos quais poderão participar 10500 atletas, e de 100 eventos nos jogos de inverno, que deverão ser disputados por 2900 atletas.

As alterações devem entrar em vigor nos Jogos de 2024, cuja organização ainda não está atribuída, mas podem afetar os Jogos Tóquio2020, depois de o comité organizados se ter mostrado disposto a integrar no programa o basebol e o softbol.

O COI aprovou também o reforço das relações com as ligas profissionais, de forma a garantir que os melhores desportistas de todas as modalidades possam marcar presença nos Jogos Olímpicos.

 

Canal olímpico de TV vai ser realidade

O COI aprovou também a criação de um canal de televisão digital de âmbito planetário, que funcione permanentemente, com sede na Suíça e uma sucursal em Madrid. Com um orçamento de cerca de 450 milhões de euros para os próximos sete anos, o canal deverá transmitir durante 24 horas por dia e estará disponível 24 horas por dia com tudo o que se relacione com olimpismo, mas não fará a transmissão direta dos Jogos Olímpicos. O COI criou em 2001 a Olympic Broadcasting Services (OBS), um departamento que ficou encarregue da gestão e venda das imagens dos Jogos Olímpicos e que, a partir de agora, será responsável pela implantação do canal. O grego Yiannis Exarchos, conselheiro delegado da OBS, explicou que o novo canal será apenas digital, mas admitiu que a “oferta poderá ser alargada a uma versão tradicional”. Segundo Exarchos, o “canal será uma plataforma para a exposição contínua dos desportos olímpicos e permitirá reviver os melhores momentos dos Jogos Olímpicos, partilhando com o mundo os arquivos do COI”. As políticas de conteúdos e gestão do canal serão definidos pelo COI, que admite a possibilidade de transmitir eventos de modalidades que não integram o programa olímpico.

Foi ainda decidido mudar a realização dos Jogos Olímpicos da Juventude para os anos ímpares, levando a que a edição prevista para 2022 se realize em 2023, desencontrando-os das restantes competições, com o objetivo de dar maior destaque à competição para jovens entre os 14 e os 18 anos.

Também ao nível da igualdade do género e luta contra a descriminação foram aprovadas recomendações. Pretende-se alcançar 50% de participação feminina nos Jogos (em Londres foi de 44%) e a orientação sexual passa a estar incluída no princípio de não discriminação da Carta Olímpica e nos contratos celebrados entre o COI e as cidades organizadoras dos Jogos.

No início da sessão, o presidente do COI, Thomas Bach, alertou para a necessidade de mudanças no movimento olímpico. “Se não enfrentarmos esses desafios e não nos adaptarmos, vamos ser atingidos por eles”, afirmou Bach, justificando a decisão de permitir o alargamento geográfico dos Jogos com “motivos económicos e de sustentabilidade”.

 

Mais informação sobre este tema

Vídeos da 127ª Sessão Plenária do COI

Leia aqui na íntegra as recomendações da Agenda 2020 aprovadas por unanimidade.

Discurso do Presidente do COI, Thomas Bach, na íntegra.

 

 

 

 

 

 

 

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